Eu??

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Just getting better...

quarta-feira, 12 de março de 2014

Para quem ontem veio bater à minha porta....

Soneto ao suspiro (ou senha espião)

Olho pela janela e ouço o vento
Respiro e espio mas não me contento,
Me pergunto: - se não me apeteces,
Por que, então, meu Deus, sempre apareces?

Nem me lembrava, nem te esperava
Eu só orava, e só pedia, e implorava
Até que numa tarde abençoada
Surges-me à porta, despreparada

Quando pedia aos céus sinal qualquer
Que indicasse uma direção sequer
Tocas em duplo toque à cabeceira
Mensagem noturna derradeira, ora!

Se me desdenhas, se já me esqueces,
Por que, então, meu Deus, sempre apareces?


segunda-feira, 10 de março de 2014

Um novo autorretrato

Quatro anos atrás, postei um soneto que achava que me representava até ali...

Hoje já tenho outro, que ora posto....


Adágio
(ou Soneto em Rallentando)

Não se negou a corroborar com a loucura
Pois que o seu corpo, já exausto da Procura,
Por vezes há deitado em leitos de Procustos,
Mas andou ainda em busca da Cidade dos Justos

Por outros sonhos se embrenhou por entre a senda
Onde ecoou em voz clara para que se entenda
Um cuco em primeiro pio esparso! Primavera.
Tal Palavra precisa. Incisiva. (ou quimera)

Que assim se lhe espalhou feito uma essência airosa
Lhe horizontou o olhar adiante o caminho
Vislumbrando o jardim (apesar do espinho)

A saber, ante ao rosal, escolher a Rosa
Qual brisa de borboleta a colher narciso
Em tempo lento, leve, e preciso. Preciso.

(Laura Santos)

quarta-feira, 5 de março de 2014

Musette


(Ou: Soneto de melodia simples, com baixos insistentes)

O interlúdio lúdico de jograis,
Espasmos cadenciados... e stacattos.
Consonantes (coloridos!) madrigais.
Trechos inacidentados: bequadros.

Progride a mediantes (mas não sensíveis)
Acorde d’um cravo (des)temperado
(são notas muitas, incomensuráveis)
Que, de abrupto, se vê assim pausado.

Mas valeu nossa singela musette
(que nos precede ao adiamento cromático).
E feito a música é o sutil átimo,

Que em horas belas antecede e sucede
longos silêncios, a ausência (que irônico)
É a tônica comum do nosso encontro.

(a T. M. A. 04/02/2014)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O que eu quero


 (7-8-8)

Quero um amor de cinema
Um amor de Júlias e Brigitas
Não quero amor de Adélia

Não quero quem me ame se.
Não quero quem me ame mas.
E porém, e contudo, e entretanto.
Quero quem me ame apesar de.
Quem me ame sobretudo. E além.
Não quero todavia. Quero todas as vias.

Quero amor de poema
Que valha a pena
O lápis e a caneta
Não quero venetas. Estreitas.
Quero ancho, não pranto

Quero amor falado, abobalhado
Sincopado. Erótico. Exótico.

Quero o que eu nunca ainda tive
E meu querer insiste, e insiste, e insiste
Quero talvez o que não existe

Mas meu querer insiste, e insiste, e insiste.

(Laura Santos)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O amor e o amar

Já disseram que se mede a quantidade que se viveu pelo tanto que se amou.

Pois eu vivi infinito então! Eu amei muito e tanto! Amei muitos também.

O fato de eu não ter sido amado, por outro lado - para esse fim específico de viver (assim quantificado) - não tem a mínima significância.

Faz falta. Mas não mata.

(Anônimo)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Conto número três


Conto número três
(ou a verdadeira história da reforma no prédio de Fabiana)

Para se ter uma ideia, o primeiro encontro com Fabiana nem foi no seu próprio prédio, foi numa sala emprestada de alguém, de quem nem se lembra mais. Ali nunca mais se voltou.
Quando cheguei ao prédio de Fabiana achei meio antigo (velho, na verdade) aquele ar soturno, entrada enclausurada e o porteiro me sorriu um sorriso muito magro:
- Identidade, senhora, vai para onde?
- Vou ao terceiro, vou ver Fabiana. Respondi apresentando identidade, CPF, carteira de motorista. Não tinha talão de cheques, mas se tivesse mostrava.
Reparei a pintura descascada, aquele piso esfregado, mas com ar de mal lavado. Um elevador estava enguiçado.
Subo então e, no cubículo, aguardo tentando aprender pelas as revistas da antessala - e se passaram muitos, muitos tempos.  Mas insisti... e voltei sempre, mesmo sem ser convidada.
Eis que um dia eu chego lá e vejo um belo estrago! Na entrada, o chão todo arrancado, pedaços de cerâmicas por todo lado, paredes raspadas, uma pinguelinha de ripa de madeira, elevador não abria travava, ou então não subia nem fechava. Eu me esgueiro por onde dá, na passagem difícil, cheia de embaraços.
E não é que tem outro porteiro! Me barra a entrada novamente, e com ousadia, me solicita, em altos brados:
- Documentos! Senhorita!
Eu prontamente estico os braços, mas relembro – em voz baixa claro, só pra dentro:
- Eu venho sempre, o outro porteiro já me conhecia.
Noutro dia e a surpresa! Piso novinho, lâmpadas claras, o porteiro reinstalado, num lugar bem mais apropriado. Claro, claro, um ou outro retoque ainda precisa, mas já dá pra se ver a mudança.
Vendo o hall vazio pergunto ao porteiro, que já me recebe com um riso largo:
- Cadê o pessoal da obra?
- Já foram embora, voltam amanhã, só trabalham até às seis.
Eu sorrio de volta.
E penso, não sem certo ar de superioridade -“engano seu, moço porteiro!”
Depois das seis, seu mestre-de-obras e os pedreiros fazem hora-extra! E, pouco a pouco - a marteladas curtas para assentar tábuas mais largas – quase, quase já terminam a reforma é lá de casa!
Eu entro. Vou me encontrar com Fabiana! E com cautela (mas firmeza) abro a porta do elevador, que já desliza, e noto o aviso que diz:
- Cuidado, tinta fresca!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Soneto do Sentimento

Soneto do Sentimento
             
Só goles de sono pela manhã,
Havia se embriagado da madrugada!
E, ao notar leito e mola alquebrada,
Arrematou exegese da terçã.

E repetiu seu nome para dentro
Como que engolindo sua palavra,
Letra a letra (e sema) assim permeada,
Para que, então, se fixasse a contento.

Não olvidou frases de vapor em pó,
Perfumado e tátil calor querêncio
E, sob lençóis, falanges andarilhas...

Entrementes, ansiou ouvir ainda, só
Mais uma vez, o delicioso silêncio
Do diálogo pulsante de pupilas...