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segunda-feira, 16 de março de 2009

Uma outra Laura Santos

Não foi sem surpresa que descobri, há alguns meses, uma grande poeta Paraense, nascida em 30 de novembro de 1921: Laura Santos! Sim dividimos não só o mesmo nome como também a mesma paixão por sonetos. Temos várias outras coisas em comum como a garra, a determinação e a vontade inescapável de escrever. Posto um de seus poemas:

QUINTO POEMA

Na noite erma e profunda
Soam vozes estranhas,
Poemas de amor que nascem das entranhas
Da terra.
E em meus olhos, que são portas escancaradas
Para a vida,
Fulge o desejo intenso,
Singular,
De pecar...

Agora,
Após ecoarem de vagar
As doze badaladas
Na velha torre,
Já não se escutam mais vozes estranhas...
Paira em tudo um silêncio incompreensível,
Esquisito,
Como se a alma da noite
Se houvesse diluído no infinito.

Só na minha alma ainda há a vida e a vibração,
Sem esperança,
De íntimo ardor,
Toda a ofegar em sonho
E em desejo a fremir;
A vibração e a vida de um amor,
Que, à semelhança
Do tinhorão tristonho,
Jamais há de florir.


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(In: Poemas da Noite, 1953 – Do livro “Um Século de Poesia”, 1959, pp. 397-8 – Imprensa Oficial do Estado, Curitiba, Paraná, Brasil.)

2 comentários:

  1. "Fulge o desejo intenso,
    Singular,
    De pecar..."

    Lindo, lindo! ;)

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  2. A mulher é demaaaais!! Deve ser o nome!! aushaushaush Beijos Lipe!

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